Coluna | O Sistema

por | out 16, 2021 | Sem categoria | 0 Comentários

Foto: Arquivo Pessoal

O direito é o campo da cordialidade aristocrática, a desfaçatez que corrói as autênticas relações, chamada network.

Os alunos aprendem cedo, escolhem um professor e lustram seus sapatos a fim dum estágio, monitoria, pesquisa… algum proveito próprio. E quando conseguem, iniciados, exigem que os iniciantes façam o mesmo para eles.

No exercício da profissão, depois de anos aprendendo a triste arte da subserviência com os poderosos e impiedade para com os mais fracos, tornam-se “advogados de sucesso”.
Ostentam suas ótimas relações com juízes, promotores e políticos. Transitam entre os gabinetes traficando influência – quantos relógios caros os parasitas do dinheiro público deram ao Beto Richa? Quantas filhas de desembargador não tiveram sua lua-de-mel paga pelos padrinhos coincidentemente advogados? Quantas viagens de formatura de medicina não foram pagas pelas empresas farmacêuticas? Quantas vezes você, pobre e fodido, não foi o único prejudicado nessas práticas infelizmente comuns?

A aliança incestuosa juiz-promotor-advogado só é possível quando o réu é rico e contrata um advogado também rico, que conhece e é respeitado pelos juízes e promotores (essas instituições visceralmente corruptas e aristocráticas), e na mesa de negociação em algum clube chique da cidade o Habeas Corpus é negociado na velocidade da luz (quantos HC são concedidos aos pobres de madrugada ou no fim de semana?).

Mas se você, ingênuo causídico que acredita no ‘poder transformador’ do direito, vai em defesa das vítimas preferenciais do sistema penal; réus pobres, negros, moradores de periferia e com ensino fundamental incompleto, que cometeram o crime de tráfico no varejo e roubo de pequenos valores, você é contaminado pela imagem do fracasso que eles refletem. Isto é, para o ‘sistema jurídico’ vale a máxima “me diga quem defendes que te direi que advogado és”.

Os que defendem Beto Richa ou mesmo o Júnior Brittes, são vistos como grandes advogados, os que defendem o zé ninguém da esquina, usuário de crack, preso e linchado no centro da cidade furtando um celular, este é o fracasso da profissão.

Eu me formei na UFPR, fiz mestrado em Direito Penal e Criminologia, publiquei alguns artigos, dei algumas palestras, incluindo aí instituições de ensino internacionalmente renomadas como FGV, USP, UFPR, PUC e etc., mas me recuso terminantemente a vender meu conhecimento para esses gafanhotos devoradores que por onde passam espalham a miséria e a violência, em conluio com esse sistema jurídico corrupto e viciado que temos no Brasil.

Por: Renato Freitas – Advogado, mestre em Direito e vereador de Curitiba (2021-2024).

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