Relembre nove pontos importantes da CPI da Covid até agora

por | jul 19, 2021 | notícias | 0 Comentários

Não lembra de tudo que já rolou na CPI da Covid? 

Neste texto, vamos apresentar um resumo com algumas das principais revelações e suspeitas levantadas durante os primeiros meses de trabalho da CPI da Covid no Senado. A Comissão entrou em recesso e deve voltar a ouvir depoimentos no dia 3 de agosto.

1. BOLSONARO NÃO QUERIA A CPI 

O presidente do Senado (Rodrigo Pacheco, aliado de Bolsonaro) inicialmente não acatou o pedido para início da Comissão, que só aconteceu depois de determinação do STF. Após início dos trabalhos, parlamentares governistas fizeram de tudo para que a CPI investigasse também governadores e prefeitos, na tentativa de tirar o foco das apurações envolvendo o Governo Federal. Por várias vezes, Bolsonaro também criticou a instalação da CPI e pressionou senadores a fazerem o mesmo. 

2. MINISTROS DA SAÚDE NÃO TINHAM AUTONOMIA 

Na CPI, Luiz Mandetta e Nelson Teich (antigos ministros da Saúde) reclamaram da falta de autonomia no trabalho durante a pandemia. Em seu depoimento, Mandetta revelou que Bolsonaro queria alterar a bula da cloroquina para incluir o tratamento de Covid-19, o que contraria todos os estudos científicos sobre o tema. Já Nelson Teich, que ficou no cargo por pouco mais de um mês, também citou o lobby pela cloroquina como motivo para a saída do Ministério, onde, segundo ele, não havia liberdade para conduzir atividades de acordo com suas próprias convicções. 

3. GABINETE PARALELO 

Foi também durante o depoimento dos ex-ministros da Saúde que foi confirmada a existência de um “gabinete paralelo” para tratar dos assuntos relacionados à pandemia. O objetivo do gabinete era fornecer ao presidente um assessoramento sem qualquer embasamento científico. As reuniões não contavam com o corpo técnico do Ministério da Saúde e propunham estratégias como o uso da cloroquina e a imunidade de rebanho no combate à pandemia. Entre os participantes do gabinete paralelo estava o filho do presidente, Carlos Bolsonaro, que é vereador do Rio de Janeiro.

4. IMUNIDADE DE REBANHO E CLOROQUINA

Durante diversos depoimentos também ficou como o Governo Federal decidiu apostar na imunidade de rebanho como forma de combate à pandemia. A ideia de deliberadamente deixar as pessoas se contaminarem para atingir imunidade foi inclusive defendida pelo deputado federal Osmar Terra na CPI, que teria integrado o “gabinete paralelo”. A CPI também ajudou a mostrar como havia uma verdadeira “força-tarefa” do Governo Federal em torno da cloroquina. O ex-chanceler Ernesto Araújo conduziu negociações com outros países para a importação de insumos para a fabricação do medicamento, que chegou a ser produzido pelo Exército brasileiro. Estima-se um gasto de pelo menos R$ 90 milhões do Governo Federal para fabricar cloroquina.

5. MENTIRAS E CONTRADIÇÕES  

Durante diversas sessões da CPI, ficaram claras as mentiras e contradições envolvendo depoimentos de pessoas ligadas ao Governo Federal. O ex-ministro da Comunicação, Fabio Wajngarten, por exemplo, negou que sua pasta tivesse feito propaganda contra o isolamento social, sendo que a conta oficial da própria Secretaria de Comunicação havia publicado um vídeo em 2020 com a campanha “O Brasil não pode parar”. Já o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello, negou que houvesse ocorrido pedido do presidente para cancelar as negociações de compra da vacina Coronavac. Acontece que o próprio Pazuello apareceu em vídeo (divulgado um dia após declaração de Bolsonaro contra “a vacina chinesa”), dizendo que apenas obedecia ordens do presidente.  

6. COLAPSO EM MANAUS 

Outro fato importante abordado pela CPI foi o colapso vivido por Manaus, em janeiro de 2021, quando a cidade ficou sem cilindro de oxigênio em hospitais. Em documentos enviados à CPI ficou comprovado que o Ministério da Saúde soube do aumento da demanda por oxigênio na cidade quase um mês antes do colapso. Não houve movimentação por parte do Governo Federal, que sequer enviou aviões para buscar cilindros de oxigênio oferecidos pela Venezuela, já durante os piores dias da crise. Somente entre os dias 14 e 15 de janeiro, pelo menos 31 pessoas morreram por falta de oxigênio em hospitais de Manaus. 

7. RECUSA DE E-MAILS DA PFIZER 

Uma das principais descobertas da CPI foi a comprovação de que o Governo Federal deixou sem resposta e-mails enviados pela fabricante de vacinas Pfizer por mais de cinco meses. A Comissão listou pelo menos 101 tentativas de contato da empresa com o governo que não obtiveram retorno. Caso as primeiras tratativas tivessem avançado, a imunização com Pfizer no Brasil poderia ter iniciado em dezembro de 2020 e não em maio de 2021, como ocorreu.

8. ESCÂNDALO DA COVAXIN 

Por fim, as mais recentes descobertas da CPI dizem respeito aos casos de corrupção durante as negociações de compra de vacinas. Mesmo mais cara que os outros imunizantes e ainda sem comprovação da Anvisa, o Brasil decidiu fechar acordo para a compra de 20 milhões de doses da Covaxin, vacina indiana. Funcionários do Ministério da Saúde relataram “pressão atípica” para assinatura do contrato, cujo preço por dose de vacina era quase 15 vezes maior do que o inicialmente proposto. As negociações tiveram como intermediária uma empresa ligada a Ricardo Barros, líder do governo federal na Câmara. Todas essas suspeitas foram levadas por servidores do Ministério da Saúde ao presidente Bolsonaro, que não agiu para investigar os indícios de corrupção dentro do seu governo. 

9. UM DÓLAR POR VACINA

Outro escândalo de corrupção tem relação com as negociações entre representantes do Governo Federal e de empresas que estariam comercializando doses da vacina Oxford AstraZeneca. Segundo denúncias recebidas pela CPI, uma propina seria paga de 1 dólar para cada uma das 400 milhões de doses do imunizante adquiridas. 

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